01 março, 2016

Efeitos do exercício no câncer infantil.



Dentre os vários tipos de câncer que acometem crianças de 0-14 anos, o mais prevalente é a leucemia linfoblástica aguda (LLA), seguidos de câncer no sistema nervoso, sarcomas de partes moles, tumor renal e linfomas não-Hodgkyn. Nos últimos anos, o progresso em seus tratamentos elevou muito as taxas de cura, com uma sobrevida estimada de 5 anos próxima aos 80%. Como resultado, existe uma população crescente de sobreviventes com idades abaixo dos 20 anos. 

Melhorar as taxas de sobrevivência, no entanto, não vem sem consequências. Temos associado um espectro de efeitos indesejáveis ao tratamento, incluindo diminuições da função cardiopulmonar, da força muscular e quadros de fadiga nesta população. De forma tardia, constata-se crescimento e desenvolvimento prejudicados, disfunção cognitiva, severo comprometimento neurológico, motor e cardíaco, e malignidades secundárias. Por efeito, crianças durante e após o tratamento apresentam reduções consideráveis em seus níveis de aptidão física, o que contribui para limitar sua participação em atividades recreativas. Assim sendo, a atenção à esta população não deve focar apenas em aumentar a sua sobrevida, mas também em melhorar a sua qualidade de vida.

Neste sentido, a intervenção com exercícios físicos tem se mostrado uma ferramenta promissora na melhora das capacidades físicas em crianças com câncer, prevenindo os déficits de longo prazo. Apresento resultados de duas revisões sobre o assunto. A primeira, de 2011, pesquisadores de Memphis (E.U.A.), analisaram 15 estudos , somando 302 crianças, e não encontraram efeitos negativos do exercício em intensidades moderadas no sistema imunológico em crianças com LLA durante o tratamento. Também constataram benefícios na função cardiopulmonar, inclusive em crianças com comprometimento pulmonar em longo prazo, aumentos de força muscular e flexibilidade, redução da fadiga durante e após o tratamento, com consequente melhora da qualidade de vida nas crianças que se exercitaram. 

Cabeçalho do primeiro artigo apresentado (Tien-Tseng, H. et al. 2011

A segunda revisão, publicada em 2013, os autores encontraram, após a análise de 17 estudos envolvendo 282 crianças, resultados semelhantes ao primeiro estudo. Adicionalmente foram constatados impactos positivos do exercício na redução de gordura, níveis de atividade física, resistência e funcionalidade

Cabeçalho do segundo artigo apresentado (Baumann, F. T, et al. 2013)

Em ambas as revisões, não foram encontrados efeitos adversos ou complicações causadas pelo treinamento. Entretanto, os efeitos benéficos causados pelos exercícios nas crianças nos principais desfechos foram menores quando comparados aos promovidos em adultos. Os autores justificam tal fato a baixa aderência aos programas de treinamento. Dado que ao longo do período das intervenções, as crianças relataram que os exercícios eram monótonos e chatos, acarretando em perda de interesse e desistências.

Podemos concluir que a realização de exercícios físicos  é eficaz em melhorar as capacidades físicas das crianças com câncer e que deve fazer parte do tratamento, desde que adaptada as necessidades motoras e cognitivas, respeitando o estágio de maturação da criança. São necessários mais estudos para definir a modalidade, volume e intensidade ideais para esta população.

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Quer saber mais sobre os protocolos de exercícios usados nos estudos? Mande-nos um email – oncofitness@gmail.com – e receba o PDF das duas revisões citadas nesta postagem.

Até a próxima...
Rodrigo Ferraz

Referências dos artigos citados:
Huang, Tseng-Tien, and Kirsten K. Ness. "Exercise interventions in children with cancer: a review." International journal of pediatrics 2011 (2011).
Baumann, Freerk T., Wilhelm Bloch, and Julia Beulertz. "Clinical exercise interventions in pediatric oncology: a systematic review." Pediatric research74.4 (2013): 366-374.

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